A Casa, Questão Judicial


A Casa DC 81

Imóvel ¨ Rua Diogo de Castilho, 81 – Pque Mandaqui SP ¨

Olá!

Aqui irei lhe contar toda a estória do imóvel em si, o como, e o porque, de meu  envolvimento na questão, algo que era para ser espiritual e que acabou se tornando judicial.

Meu nome é Paulo Rogério, fui despachante documentalista junto ao Detran-SP; e foi exatamente no Detran-SP, quando ainda no Ibirapuera que conheci o Sr. Aparecido José, o proprietário (herdeiro), do imóvel da rua Diogo de Castilho,81.

O Sr. Aparecido, tinha como profissão vendedor ambulante, vendia sachê de mel, etc, e um dos locais que vendia seus produtos era nas repartições do Detran-SP; assim sendo, eu já lhe conhecia de vários anos antes.

O Sr. Aparecido José, se tornou herdeiro do imóvel após o falecimento de seu padrasto, mãe, e irmã.   

Certo dia “ ano de 2010 “ estava eu no Detran-SP, comentando com um colega despachante, que iria iniciar junto ao escritório de despachante, os serviços de corretagem de imóveis; quando o Sr. Aparecido, se aproximou de nós, e perguntou-me, se eu interessava intermediar a venda de sua casa.

Disse-lhe que sim, e marcamos para no sábado seguinte eu ir conhecer o imóvel, e verificar a documentação.

Para minha surpresa, “ e talvez inicio dos mistérios ”  o imóvel era em bairro vizinho ao que eu residia (Mandaqui/Sta Terezinha), até então nem imaginava onde o Sr. Aparecido morava.

Conforme combinado, no dia marcado fui conhecer o imóvel e verificar a documentação.

O imóvel encontrava-se em precárias condições, e a documentão só havia a escritura em nome do padrasto e sua mãe, precisava fazer o inventário para ele.

Nessa oportunidade tomei conhecimento de como tinha sido a vida do Sr. Aparecido, até aquele momento. Ele me contou muito das dificuldades que enfrentou desde criança, tendo o seu pai morrido, quando ele e sua irmã ainda eram bem pequenos; com a morte de seu pai, sua mãe vem para São Paulo em busca de trabalho, e deixa os filhos para serem criados pela avó materna e um tio, e assim foi até a idade aproximada de 17 anos.

O Sr. Aparecido não tinha recursos financeiros para gastar com o inventário do imóvel, e muito menos fazer qualquer benfeitoria mesmo que necessárias e urgentes na edificação; até então com seus 74 anos de idade, se quer recebia INSS auxilio idade, sobrevivia com a revenda dos produtos de mel. 

Foi ai que eu me sensibilizei, envolvi, e fiquei preso até agora.

Cheguei a falar para o Sr. Aparecido, que por tudo o que ele já tinha passado “ segundo o que me contou “, que perdoasse seu padrasto, mãe, e irmã, uma vez que ele guardava magoas dos mesmos, achava que eles nunca fizeram nada por ele, e se quer gostava dele.

Recomendei-lhe que se desse por agradecido e feliz, por eles terem deixado para ele aquele teto para morar, e ter onde se abrigar até o fim de sua vida, e que não mexesse com vender o imóvel, porque isso, só iria lhe trazer problemas.   

Eu sozinho não tinha como fazer muito pelo Sr. Aparecido dentro de suas urgentes necessidades financeiras, reformar o imóvel, etc.

Dai me surgiu a ideia de criar uma associação beneficente, convidar mais pessoas “ conhecidas e amigas “ para conhecerem o Sr. Aparecido, sua estória e necessidades, e assim conseguir lhe o necessário.

( Em “ 2011 “ e com essa intenção é que criei o blog  associacaofraterna.blogspot.com ).

O quarto da frente da casa do Sr. Aparecido, estava com o estuque desmoronado, lhe propôs arrumar aquele espaço, abrir uma porta, tornando-o independente do resto da casa, e fazer ali o local de atendimento dos seus futuros amigos e colaboradores.

Inicialmente o Sr. Aparecido aceitou, mas antes mesmo de eu completar a reforma do quarto, eu percebi que ele não estava muito satisfeito com a ideia, foi quando eu resolvi dar um tempo.

Algum tempo passou, e em um certo dia, o Sr. Aparecido me encontrou no Detran-SP, e veio me contar que tinha levado um interessado para ver o imóvel para comprar.

Nesse exato momento lhe questionei, quanto ao que tinha lhe dito por se dar por satisfeito por ter onde morar, e dos problemas que enfrentaria caso conseguisse vender o imóvel.

Ele estava decidido a vender, “ segundo ele “ era devido sua dificuldade de acesso ao imóvel, por estar em um local de acentuado aclive/declive, etc.

Combinei com ele de no final de semana fazer lhe uma visita e batermos um papo.

Chegando em sua casa, reparei que a  própria documentação do imóvel que eu analisara e devolvera a ele, continuava na mesma mesinha no meio da sala.

Expliquei lhe o risco que estava correndo em levar pessoas desconhecidas para apresentação do imóvel, uma vez que era pessoa idosa e morando só, e agravado o problema por estar exposta na mesa de centro toda a documentação existente referente ao imóvel.

Então dai combinamos que eu poria uma placa da imobiliária oferecendo a venda do imóvel, assim ele estaria em segurança, uma vez que a apresentação do imóvel teria que ser sempre acompanhada de um corretor; e que se encontrássemos pessoa interessada em custear as despesas do inventário e etc, fecharíamos negócio.

E eu inocentemente fui me atolando na situação, é como diz o ditado “ no inferno está cheio de pessoas de boa intenção “; no meu caso, o inferno tem sido aqui mesmo com essa situação. 

Como um  “ bom bobo “, e como também diz Raul Seixas em uma de suas músicas “ Carpinteiro do Universo “, ... em meu auge do egoísmo..., eu recorri a um amigo irmão que é advogado, expliquei lhe a situação e lhe pedi ajuda para fazermos o inventário dos pais do Sr. Aparecido.       

Com o inventário já iniciado e até mesmo em fase final, apareceu um interessado pelo imóvel, que aceitou esperar a conclusão do mesmo, assim ajustamos valores, condições e etc, vindo a  fechar com ele a venda do imóvel .  

A problemática maior, é que o Sr. Aparecido era divorciado e  “ segundo ele “ não tinha contato nem conhecimento de sua ex-esposa há muitos anos.

Conforme outro ditado que gosto muito: “ colocamos o carro na frente do bois “  imagina o trabalho que eu tive em localizar essa senhora.

Quando consegui localizá-la, meu primeiro contato foi com uma de suas 4 filhas, que também segundo o Sr. Aparecido, não era de sua paternidade, nenhuma das filhas a não ser a mais velha.

Ao explicar o porque de meu contato, esse via telefone, essa Sra. fez questão em dizer-me que eu ficasse tranquilo que sua mãe não iria causar dificuldade alguma na venda da casa, e que lhe retornasse a ligação em dia e hora por ela determinados.

Chegado esse dia, e hora, marcados, “as dificuldade que não iria existir, segundo a filha ”, eles se iniciaram, sua mãe não estava, e que eu retornasse a ligação em outro dia e hora.

Ao retornar a ligação no determinado dia e hora sua mãe tinha viajado, e assim foi até que depois de muitas tentativas, um dia consegui que a Sra. ex-esposa do Sr. Aparecido, viesse em meu escritório para tratarmos da referida venda do imóvel.

Esse encontro se deu já no final do dia, e a Sra, tinha me informado que viria com a filha, mas chegou só, perguntei quanto a presença da filha, e ela me informou que chegaria mais tarde.

Então propus a ela que conversássemos  um pouco informalmente até que a filha chegasse, e ai trataríamos do assunto comercial.

Iniciei nossa conversa perguntando a ela se ela tinha uma crença ou mesmo uma religião, e de pronto lhe expliquei o porque de minha pergunta, disse lhe: Eu posso imaginar o quanto a Sra, e o Sr. Aparecido sofreram com a separação, uma vez que na época até já tinham filhos pequenos; mas que eu não poderia tomar partido nessa situação, mas que achava necessário o entendimento quanto ao perdão para se chegar a um bom termo da situação, e esse “ preambulo “ em virtude das dificuldade que eu já tinha encontrado para conseguir aquele encontro com ela, já prevendo mais problemas.  

De imediato ela me respondeu: há sim, eu sou evangélica, e já perdoei, senão já teria morrido.

Logo em seguida sua filha, chegou e passei a falar quanto a venda do imóvel, e do porque da decisão do Sr. Aparecido em vende-lo.

Informei-lhe que segundo o advogado que tinha providenciado o inventário, uma vez que ela tinha se divorciado do Sr. Aparecido logo após a morte da mãe do Sr. Aparecido, e que só bem mais tarde a outra herdeira (irmã do Sr. Aparecido), veio a falecer, ela  tinha direito a 25% do valor da venda, que seria referente os 50% da mãe do Sr. Aparecido a ser divididos entre ela e ele.

Dito isso a Sra, falou que não aceitaria menos do que 50% do valor da venda, e o pior de tudo, foi o que falou posteriormente após eu tentar argumentar, disse-me: “QUERO 50%, OU ESPERO ELE MORRER E FICO COM TUDO”. então lhe informei: então a Sra, pode sair daqui já pensando qual advogado vai contratar, porque o imóvel já foi vendido e mesmo que o Sr. Aparecido morra hoje, a Sra, não ficará com tudo. 

Mesmo bastante indignado com aquelas palavras e atitudes da ex-esposa do Sr. Aparecido, “ eu mesmo fazendo uso do remédio citado na época “ o perdão “,  tentei muitas vezes chegar a um acordo com ela, mas ela  provou que estava mesmo disposta a esperar ele morrer para ficar com tudo.

Em um desses contatos, ela disse-me que iria pessoalmente em companhia da filha do casal fazer uma visita ao Sr. Aparecido; incentivei a ideia e falei que esperava em Deus que se entendessem.  

Ao comentar com o Sr. Aparecido dessa provável visita, e de minha esperança em que se entendessem, ele me respondeu: se elas virem eu não as atendo, e me falou:  em 40 anos, a primeira vez que minha filha veio me ver, veio em companhia de uma irmã, e as duas me desacataram, e só não me agrediram porque fiquei o tempo todo sentado e não abri a boca.

A visita aconteceu, e o não atendimento também.

Em minha ultima tentativa de acordo com a ex-esposa do Sr. Aparecido, ” e ela me tratando como se eu fosse um moleque “, eu lhe falei: Sra, preste atenção nesse versículo do evangelho que irei lhe ler, (fiz isso por ela se dizer evangélica, e ao meu ver, teria que conhecer e de preferencia praticar os ensinos ) e lhe li Filipense 4:6,9. E encerrei a conversa lhe falando que a partir daquele momento ela só iria falar com o advogado responsável pelo caso.

E por força do destino, de fato não passado muito tempo o Sr. Aparecido veio a falecer, me deixando com essa situação nas mãos.

Uma vez que a ex-esposa tinha demonstrado o interesse em que ele morresse, e que ele não recebeu a própria filha quando ainda vivo, só liguei para ela, para lhe informar do falecimento uma semana depois.

Falando com ela, procurei lhe informar do falecimento, sem causar lhe susto; mas quem se assustou mais uma vez foi eu, ela me respondeu: você está ligando em boa hora, porque a filha dele está aqui, e vai ai amanha pegar as chaves da casa.    

E assim aconteceu, logo cedo a filha deles estava em meu escritório, e sem interesse algum em nada além das chaves; só deixou eu falar algumas palavras em virtude de intercessão de um cidadão que lhe fazia companhia.

O mais absurdo de tudo que ao final desse desagradável encontro, ela diz para mim o seguinte: “ Então agora é só esperar para ver quem morrerá primeiro, eu ou você “; fez questão de repetir as mesmas palavras proferidas pela mãe em relação ao que esperava para o seu pai, e agora o que ela espera para mim.

Se passaram 7 anos, e resolvi postar essas informações porque tive intuição de fazê-lo, e porque queira ou não, até que a Justiça Determine o desfecho da questão sou o responsável pelo imóvel.

Eu diferentemente da ex-esposa, e sua filha, só quero o que for meu por trabalho, dedicação, direito e justiça.

Eu tenho por religião, o lema de vida: só querer para meus semelhantes aquilo que eu possa querer para mim mesmo.

 

“ Como fonte turvada, e manancial poluído, assim é o justo que cede diante do ímpio “. Provérbios Salomão 25:26

Atenciosamente.

Paulo Rogério.  

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